Am I home?

TonSai, Railay Krabi – October 17, 2016

I find it fascinating how my mind works. I prepared myself to arrive in a place completely different from everything I am used to, but then… I was so wrong! Thailand is way more similar to Brazil than I initially thought.

After noticing that I expected something else – the different instead of similar – I spent time trying to find a rational explanation to why Thailand reminds me so much of places that were already familiar to me.

Is it the latitude?

Is it the Portuguese influence? (Phuket town has a strong Sino-Portuguese architectural influence)

Is it globalization?

What is it about Thailand that feels so homey?

While trying to find an answer to the sense of familiarity, I focused on exploring what is – for a fact – different. Which leads me to food.

OMG! Forget everything you know, or think you know, about Thai food. What you find here is a whole new advanced level. This is the real deal.

I spent the first 10 days tasting as many different flavors as I could. It was actually the perfect timing because I arrived right in time for the Vegetarian Festival – so for someone who can be picky about meat like me, the possibilities were infinite.

During the first days I indulged myself with all the flavors and smells.

Trying to pick favorites was a mission impossible.

Spicy, mild, not spicy. Sweet. Sour. White rice, brown rice, sticky rice, rice noodles. Fried noodle, fried rice, soup, clear soup, dark soup. Vegetable stew. Leaves. Fresh greens beyond Thai basil and lemongrass.

If someone out there ever heard me saying I could live on potatoes, forget it! I could live on Thai food. Four times a day. Seven days a week.

Have I mentioned the fruits? OMG! OMG! OMG!

Longan, Ngo, Mangosteen, Durian, even Guava and Sao Wat Lot (Passion Fruit) have a special taste here. I could easily – and actually I did it for a day or two – live on fruits.

For days all I did was eat, take pictures of food, and learn a few food-related words in Thai 🙂

 

 

Then, between meals and visits to the market, I realized why Thailand feels so familiar to me.

I come from a family where social gatherings always happen around food. And suddenly I found myself in Phuket island, being hosted by a Thai family who also gets together around a round kitchen table, three times a day. And the table is full of a wide range of choices to “chim”[i] at all times.

In addition to the food, they are warm, kind, always smiling. They made me feel so at home that if they weren’t speaking Thai I could be in South America.

The streets also remind me of Brazil. Street dogs. Unfinished road work everywhere. People on the sidewalks, talking to each other, being loud. If it weren’t for driving on the “wrong side of the road” I could swear I was in a Brazilian coastal town.

When I finally found an explanation to my sense of familiarity I relaxed and allowed myself to enjoy this beautiful and smiley country in a lighter way – without the need to understand it “tim tim por tim tim” and with less expectations. This approach is taking me to very interesting places and I’m sure this is only the beginning.

[i] Chim = taste/try in Thai

My first week in Thailand coincided with the Vegetarian Festival. More about the festival itself here and here.

Some of the celebrations can be pretty extreme. Here’s a small – and less shocking – sample of what I witnessed.

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Um início e um fim

Toda jornada nova se inicia com um fechamento. No meu caso, o início da minha aventura pela Ásia marca o fim de um ciclo de três anos morando nos Estados Unidos, mais exatamente em Boston, de onde sentirei muitas saudades.

Acho simbólico que para chegar à Ásia eu tive que atravessar os EUA de leste a oeste; como se eu só pudesse me despedir depois de apreciar a fascinante geografia norte-americana pela janelinha do avião.

Ainda mais simbólico dizer o primeiro “oi” e ao mesmo tempo “tchau” para o Oceano Pacífico do lado das Américas e assistir a um último pôr-do-sol antes de voltar para o aeroporto de Los Angeles. O sol se pondo é, para mim, a expressão perfeita de impermanência. O sol é sempre o mesmo, mas cada pôr-do-sol é diferente, as cores e formas nunca se repetem. O meu último pôr-do-sol americano ficará na minha lista de favoritos, até que eu possa voltar para esse país que me surpreendeu positivamente e ganhou minha admiração e carinho; onde eu me senti em casa pelos últimos três anos e onde eu aprendi tanto sobre mim mesma.

Quando os planos mudam e as coisas não acontecem conforme gostaríamos, cada pessoa reage de uma forma. A minha parece caótica para quem está ao meu redor, incapacitado de adentrar à minha cabeça e acompanhar os zilhões de pensamentos que tomam conta dela. Mas eu gosto de pensar que minha reação não é caótica, e sim caórdica (caos + ordem, ou ordem no caos). Quando as coisas não seguem conforme planejado minha primeira reação é pânico. Depois do susto inicial, eu ativo minhas ferramentas de sobrevivência psicológica e começo a fazer uma lista com centenas de possibilidades, desenho cenários, exploro opções e sempre, sempre, tenho um plano B. Na maior parte do tempo eu faço tudo isso em voz alta – o que faz com que quem está ao meu redor pense que meu modus operandi seja o caos, quando na verdade eu estou apenas exercitando minhas habilidades de organização mental 🙂 . Quando eu decidi abraçar a incerteza e me abrir para o inesperado, eu já estava trabalhando num plano B. Agora, esse plano virou plano A: explorar o sudeste asiático!

Por que o sudeste asiático? Principalmente porque eu não sabia quanto dinheiro eu seria capaz de juntar durante um ano. Minha outra opção seria voltar para meu país natal, mas meu coração e intuição me empurravam para o lado oposto. Depois de pesquisar um pouco não foi difícil concluir que o sudeste asiático seria umas das regiões mais baratas para viajar e explorar. Essa foi, portanto, a razão número um.

A segunda razão tem a ver com o fato de que eu sou extremamente sortuda e abençoada (e por isso sempre grata!) em ter amigos espalhados por esse mundão. Alguns desses queridos estão na Tailândia, em Myanmar, Bangladesh e Índia. Comecei então a procurar voos para esses destinos. O preço da passagem dos EUA para a Tailândia foi imbatível (USD 520).

A outra razão para escolher tal destino é porque eu sou apaixonada pelo mundo e pelas diferenças – sobretudo culturais – que existem de uma região a outra. Até agora, meu conhecimento do mundo é praticamente restrito às Américas e à Europa. As línguas que eu falo são línguas clássicas do ocidente. Além das diferenças, eu também estou ansiosa para descobrir similaridades entre o sudeste asiático e a América Latina.

Eu estou animada com essa jornada que se inicia. Uma aventura que jamais seria possível se não fosse por planos que mudaram, pela decisão de aceitar que a vida é feita de incertezas e por ter me permitido viver as experiências que vivi durante a jornada que se encerrou com o pôr-do-sol na Califórnia em 26 de setembro de 2016. Onde isso tudo vai me levar? Boa pergunta!

Vamos descobrir juntos.

*

Curiosidades sobre minhas poucas horas na China – em solo ou no avião:

  • Nenhum website ligado ao Google funciona. Obrigada Air China por me avisar que não mandaria minha passagem para meu endereço do Gmail!
  • Fidel não morreu. Jornal da manhã mostra reportagem de cerca de 7 minutos sobre viagem de delegação Chinesa a Cuba. Fotos foram tiradas. Várias mostrando Fidel, inclusive com close-ups.
  • A bordo da Air China as opções para janta são rice ou noodle? Para almoço só pork rice ou duck rice. Gotta love rice ❤
  • Capacete de segurança do limpadores de janela é trançado! ❤ ❤

 

[Escrito em 28 de setembro de 2016, no aeroporto de Pequim.]