Respirando e vivendo Tailândia

Chegou novembro e com ele um sonho se torna realidade: eu vim parar em Myanmar! Mas ainda não é dessa vez que eu vou escrever sobre esse país que tem me fascinado nos últimos anos. Calma! Calma! Logo mais eu compartilho minhas impressões. Abaixo seguem alguns detalhes sobre minhas últimas semanas na Tailândia.

Como eu já falei anteriormente, eu tive muita sorte de ser “adotada” por uma família tailandesa que me ajudou na aclimatação cultural e culinária. Com eles eu passei minhas primeiras duas semanas. Desde que me despedi deles e de Phuket, visitei lindos lugares – mas ainda falta muita coisa para visitar na Tailândia e já estou planejando a volta e os próximos destinos por lá.

Quando você viaja por viajar, sem ter que estar num lugar específico, numa data específica, você acaba se permitindo passar períodos mais longos em cada um dos lugares que visita. Você se deixar levar pela velocidade, cultura e atmosfera local. E é exatamente isso que estou tentando fazer – claro que reconhecendo que o tempo que passo nesses lugares não está nem perto do ideal para assimilar o modo de vida local – e ainda por cima é bem óbvio que eu sou turista estrangeira por aqui (ou como diriam os tailandeses, farang).

Com a exceção de Ko Phi Phi – de onde eu saí correndo depois de passar 2 noites (uma delas em claro) – eu senti que poderia ficar mais e mais tempo em cada um dos lugares que visitei. Todos esses lugares me colocaram em contato com coisas que são muito importantes para minha vida e bem estar; coisas que eu gostaria de incorporar ao meu dia-a-dia. Racionalmente eu sei que não preciso estar nesses lugares para poder continuar escalando, meditando, praticando yoga, evitando carne e álcool; mas parece que essas coisas fluem com mais facilidade em determinados lugares. Taí algo para trabalhar e mudar daqui pra frente!

O primeiro desses lugares foi Tonsai – uma praia em Railay, Krabi, que é um paraíso da escalada em rocha. Lá eu me reconectei com a escalada e percebi, uma vez mais, o quanto esse esporte alimenta minha alma e me energiza. Mesmo estando fora de forma, mesmo meus braços e pernas não aguentando meu peso por muito tempo, mesmo com hematomas espalhados pelo meu corpo, eu me senti completa, plena, feliz de uma forma que só a escalada me faz – e que eu tinha, mais uma vez, esquecido.

Eu saí desse paraíso apaixonada. Apaixonada pela geologia e sua formação rochosa – sério, no meio de uma via eu virei para quem estava me fazendo segurança e perguntei se podia chorar, tamanha a beleza daquela rocha! Apaixonada pela energia de paz das marés alta e baixa. Apaixonada pelas almas lindas – umas mais que outras 😉 – que conheci por lá. Se não fosse por um dos únicos compromisso que eu assumi para essa viagem – um retiro de meditação em Ko Samui – eu acho que ainda estaria em Tonsai. Certamente voltaria para lá. Provavelmente vou voltar.

O retiro em Ko Samui começou no dia 20. Foram quase 7 dias de silêncio total, acordando às 4h30 e indo pra cama às 21h, apenas 2 refeições diárias, e muita meditação sentada e caminhando. Por mais difícil que tenha sido deixar Tonsai, eu sabia que algo muito interessante me aguardava. E estou estava certa.

Ainda rola muita incerteza no estágio em que me encontro nesse mundo da meditação. Eu não faço ideia quais as peças que minha mente e meu corpo vão me pregar; para onde minha mente vai perambular; como manter o foco na minha respiração quando meus pensamentos vagueiam por aí. Nesse sentido, a experiência de respirar, sonhar, andar, comer meditação por uma semana foi uma agradável surpresa. Enquanto tentava domar meus pensamentos e me concentrar no ar entrando e saindo pelo meu nariz, minha mente me levou para lugares imagináveis e inimagináveis. Eu tive visões – reais e psicodélicas, caí no sono durante as sessões de meditação, fiquei entediada, frustrada, fiz listas de coisas a fazer, e-mails a escrever, telefonemas. Até escrevi e-mails e cartões postais na minha cabeça!

Mas para a minha surpresa, a parte mais difícil não foi lidar com o silêncio e com a minha respiração. O mais difícil foi voltar para o mundo “real”, barulhento, cheio de carros e motos, cheio de opções de comida, de gente falando comigo e esperando uma resposta. Daí que a decisão de seguir para Ko Phangan e ficar hospedada num bungalow na praia (por U$4/noite), com um restaurante delicioso a 5 minutos de caminhada, e aulas gratuitas de yoga foi perfeita! E mais uma vez eu senti que poderia ficar por lá – Haas Chao Pao – por mais e mais tempo.

No entanto, tinha uma outra coisa já planejada – quem disse que eu não faço planos? Meu voo para Myanmar sairia de Bangkok e eu precisava começar a seguir para o norte.

No caminho para Tonsai conheci uma brasileira e passamos a viajar juntas. Acaba sendo bem mais em conta poder dividir as despesas – principalmente de acomodação – com mais alguém. Claro que é preciso dar sorte de encontrar alguém bacana. E esse foi o meu caso. Ela acabou se juntando a mim no retiro, onde conhecemos um russo – professor de yoga – que nos seguiu até Ko Phangan. De lá, nós três resolvemos ir juntos para Ko Tao, uma ilha pequena conhecida pela grande oferta de cursos de mergulho – e que, aparentemente, é um dos lugares mais baratos, no mundo, para aprender a mergulhar.

Mergulho, no entanto, ainda não é muito a minha praia. Então quando meus parceiros de viagem se inscreveram num curso de freediving eu decidi cair na estrada a caminho de Bangkok. Lá passei mais tempo com a Namsai, lavei – e sequei!!!! – minhas roupas e organizei minhas coisas seguir, finalmente, para Myanmar!

[Escrito em 08 de novembro de 2016, Yangon, Myanmar]

 

 

 

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